GUIDOTTI, Luciano, Comendador

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N. Avaré, 13.12.1903. F. Piracicaba, 7.7.1968. C.c. Amélia Bovi Guidotti. A história piracicabana tem em Luciano Guidotti um dos seus mais expressivos nomes do século 20. Combativo, arrojado, com uma notável capacidade de liderança, incansável e dotado de uma operosidade a toda prova, à sua administração deve Piracicaba a obtenção do titulo de “Município de Maior Progresso no Brasil”, concedido pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal e o diploma correspondente, entregue a Guidotti pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira em 1957. Oriundo de família modesta de italianos que se fixaram em Avaré, SP, e com escolarização limitada, foi obrigado a trabalhar desde os anos de infância, para ajudar a sustentar a família. Foi vidraceiro, vendedor de quadros de santos, barbeiro, pedreiro. Trocou sua cidade natal primei-ramente por Limeira, mudou-se depois para Rio Claro e fixou-se por fim em Piracicaba a partir de 1928. No ano seguinte instalou uma pequena loja no Largo do Mercado, a “Casa dos Dois Mil Réis”, pioneira em vendas populares na cidade, e trouxe seus irmãos Luiz e João para trabalharem juntos. Durante a 2ª Guerra Mundial, dedicou-se à comercialização do óleo de laranja. Foi, no entanto, graças à instalação de uma sua concessionária de automóveis e caminhões na cidade, a Agência GMC, que viu crescer sua fortuna e passou a ser um empresário bem sucedido. Projetou-se, ao mesmo tempo, com seus atos de benemerência e contribuições a obras assistenciais, colaborando substantivamente para a construção das torres da Catedral e as obras do Asilo de Velhice (posteriormente Lar dos Velhinhos) e do Lar- Escola Coração de Maria Nossa Mãe. Voltando- se para o ativismo político, candidatou-se à prefeitura, competindo com o ex-prefeito Luiz Dias Gonzaga (v.), e foi eleito em 1955, com o apoio de uma coligação formada por quatro partidos (UDN, PTB, PSD, PTN), dando início, nas palavras de Elias Netto (1992), a uma administração reconhecidamente transfo- rmadora, acontecendo, assim “a primeira grande revolução urbana de Piracicaba”, de 1.1.1956 a 31.12.1959. Em 1957 levou adiante a cobertura do riacho Itapeva, para o prolon-gamento da avenida Armando de Salles Oliveira, cujas obras terminaram em 1959, desafogando o trânsito. Entregou à cidade o Mercado Municipal totalmente remodelado, em 1958. Reformou e ampliou o Serviço de Abastecimento de Água, reformou praças e jardins, ampliou a rede de esgotos, instalou em prédio próprio a Faculdade de Farmácia e Odontologia, recuperou as finanças municipais... (Camargo e Navarro, 1958; Marques, 1959). Em 1961 liderou o grupo que criou um novo jornal, a Folha de Piracicaba, lançada a 5.5, de oposição ao prefeito Salgot Castillon e aos que o apoiavam. Novamente candidato nas eleições municipais de 1963, saiu vencedor nas urnas para um mandato que deveria estender-se de 1964 a 1968, assumindo a prefeitura a 1.1.1964. Nessa sua segunda administração, destacam-se a construção das avenidas posteriormente denominadas Luciano Guidotti (antiga Água Branca), Cássio Paschoal Padovani (v.), Centenário e outras, o viaduto que ligou a rua do Rosário às imediações do Clube de Campo, as pontes do Morato, do Lar dos Velhinhos, da Nova Piracicaba e Santa Rosa. Criou a Fundação Municipal de Ensino, concluiu o Estádio Barão de Serra Negra e levou avante numerosas outras obras importantes, como o Hotel Beira Rio (Hotel Municipal), o Teatro Municipal, a Pinacoteca Municipal, o Paço Municipal, a Estação de Ônibus Urbanos, a nova passagem inferior sobre os trilhos da E. F. Paulista. Implantou praças, ampliou e modernizou a iluminação pública da cidade. Ao longo deste mandato, tal como fez anteriormente, Guidotti doou seus subsídios de prefeito, da ordem de dez milhões de cruzeiros em 1967, a entidades assistenciais, culturais e esportivas de Piracicaba. Faleceu subitamente, pouco depois de participar em almoço festivo no Lar dos Velhinhos, em virtude de problemas cardíacos. Seu enterro foi acompanhado por gigantesca massa popular. Uma multidão estimada em mais de 30 mil pessoas passou pela Catedral, onde seu corpo permaneceu exposto e durante o sepultamento Cobrinha (v.) e outros seresteiros cantaram o Hino de Piracicaba (Elias Netto, 2003). Dá nome a uma escola e uma das principais avenidas de Piracicaba.



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.