GODOY, Olegário José de (Sorocabinha)

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N. Piracicaba, 31.1.1895. F. São Paulo, SP, 10.7.1995. C. em 1917 c. Maria Benedita (de Godoy), f. 29.12.1987. Ff.: Avelina, Maria Imaculada, Durvalina, Josué, Olegário José Filho, Terezinha, Samuel. Violeiro, compositor e cantor de modas-de-viola. Nascido no bairro de Dois Córregos, Sorocabinha era filho de Nhô Juca Sorocaba, o Sorocabão, machadeiro e cantador. Cantor desde os 12 anos de idade, fez parte de um grupo musical criado por Cornélio Pires, que lhe deu o apelido de Sorocabinha. Voltou a colaborar com este em 1929, quando a “Turma caipira de Cornélio Pires” registrou o disco “Desafio de caipiras” na gravadora Colúmbia, sendo os seus integrantes selecionados por Thales Castanho de Andrade (v.). Godoy cantava e tocava viola numa venda de Dois Córregos quando o então diretor do grupo escolar rural da localidade, o professor Manuel Rodrigues Lourenço (v.), o conheceu. Suas vozes combinavam tão bem que decidiram formar a dupla Lourenço e Olegário. Em contato com a companhia Victor do Rio de Janeiro, Lourenço convenceu-os a mandar técnicos e equipamento a Piracicaba a 25.10.1929, para fazer gravações no salão nobre da Escola Normal Oficial. Foram registradas nessa ocasião dez músicas pela “Turma Caipira da Victor”, composta de Lourenço, Olegário e seu pessoal: o catiriteiro Antônio Estevão, Sebastião Roque e as filhas de Olegário Godoy. Na mesma ocasião, o Orfeão Piracicabano gravou dez músicas, sob a regência de Fabiano Lozano (v.). Lourenço e Olegário gravaram Casamento da onça, composição de Mandi (Lourenço) e uma das primeiras modas- de-viola convertidas em disco no Brasil. A dupla foi contratada pela gravadora Parlophon e desde então passou a usar os apelidos Mandi e Sorocabinha. Viajavam freqüentemente ao Rio de Janeiro para fazer gravações, apresentando- se na rádio Mayrink Veiga, ao lado de Carmen Miranda, Aurora Miranda e Gastão Formenti, assim como no Cassino da Urca, a convite de Alvarenga e Ranchinho. Gravaram 110 músicas por eles compostas, em 55 discos, os antigos e frágeis “bolachões” de 75 r.p.m., entre 1929 e 1940. Participaram do filme “Vamos passear com Cornélio Pires?”, produzido por este, por volta de 1932-34, interpretando as músicas “Caboclo feliz”, “Caipira murtado” e “Imposto do selo”. Em fins de 1936 Olegário passou a viver e trabalhar em São Paulo. Foi porteiro das lojas Mesbla. Vez por outra, juntamente com as filhas, participava em programas de rádio. Tendo deixado a vida artística, voltou a cantar em público esporadicamente, como em 1951, no Rio de Janeiro, por ocasião do I Congresso do Folclore Brasileiro, a convite de Rossini Tavares de Lima (Marcondes, 1998; Lopes, 1999, Albin, 2006). Faleceu centenário e esquecido, na capital paulista. Há uma rua com seu nome, no bairro Santa Rita.



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.