DUTRA, João

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N. Rio Claro, SP, 14.6.1893. F. Piracicaba, 25.12.1983. C.c. Hortência Gomes de Oliveira, n. Portugal. Ff.: Gilberto, Graziela, Joaquim Miguel, Luís Carlos. F. do pintor Joaquim Miguel Dutra (v.) e irmão dos artistas plásticos Alípio, Antônio de Pádua, Archimedes e José Benedicto (vv.). Artista plástico. Professor, flautista. Autodidata cuja iniciação na pintura, ao que tudo indica, deveu ao seu pai, a despeito de ter nascido em Rio Claro, viveu quase toda sua vida em Piracicaba. Formou-se em 1911 pela Escola Normal Primária piracicabana como professor de ensino elementar e nela atuou como professor nomeado de desenho desde 1937, até aposentar- se em 1956. Lecionou anteriormente em Casa Branca, Tatuí e Campinas, no interior paulista. Em fevereiro de 1919 realizou sua primeira exposição, na redação da revista “A Vida Moderna”, na capital do Estado, tendo feito novas exposições em São Paulo em 1921 e 1923 e no interior bandeirante, num total de 31 exposições nas mais importantes cidades, desde 1923. Criador de naturezas mortas e paisagens belíssimas, impôs-se igualmente como retratista de pulso, deixando-nos óleos sobre tela de grande vultos do passado, como Washington Luiz, Júlio Prestes, Lacerda Franco, Theotônio Monteiro de Barros. “Seu temperamento calmo, seu caráter introvertido, sua paixão pelo método e o exercício deste durante sua vida o levariam a dedicar-se mais intensamente ao exercício plástico oferecido pelo tema das naturezas mortas... Exprime-se através de um realismo acadêmico e até maneirista, mas de grande qualidade técnica... Sua pintura reflete seu universo particular, o interior de sua casa, o interior de seu espírito, sua vivência dosada, prudente, calma, metódica” (Cosentino, 1985). São de rara beleza as paisagens piracicabanas que fixou em suas pinturas: “Rua do Porto”, “Porto do Morato”, “Salto de Piracicaba à tarde”, “Rio Piracicaba”... Foi inúmeras vezes premiado, notadamente no Salão Paulista de Belas Artes, com medalhas e prêmios (1935, 1938, 1939, 1947, 1957, 1963, 1974, e em 1979 com o prêmio maior do salão, a Medalha de Honra. Foi convidado oficialmente para expor na famosa galeria Bernheim Jeune de Paris. No Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, ganhou prêmios em 1918, 1922, 1927. Recebeu a medalha do Bicentenário de Piracicaba (1967), a medalha da Revolução Constitucionalista de 1932, a medalha Anchieta da Prefeitura Municipal de São Paulo, o Diploma de Gratidão do Estado de São Paulo (1975), a medalha comemorativa do Centenário do Nascimento de Almeida Junior (1950) e a comenda Ordem do Ipiranga, do Governo do Estado (1982). Antonietta R. C. L. Pedroso (cit. em Mello, 1999), sua aluna na Sud Mennucci, sintetizou com muita felicidade “a figura boníssima do professor João Dutra. Velho professor, pai de todos nós, conselheiro e amigo daqueles tempos, quando se punha a nos dar lições de vida; a nos falar das hipocrisias e inverdades do mundo lá fora; louvando os relacionamentos puros, despidos da mentira e do interesse; fazendo- nos enxergar além da aparência; distinguir o falso do verdadeiro; repelir a lisonja, a falácia, a mistificação”. “Boníssimo, bem humorado, modesto e simples, amigo de piadas e pescarias, teve seus méritos de artista reconhecidos no país e no exterior, que se refletem no grande número de prêmios obtidos e nas homenagens de que foi alvo” (Pfromm Netto e Martins, 2003).



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.