DUTRA, Archimedes

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N. Piracicaba, 6.6.1908. F. 1.7.1983. C.c. Zoraide M. de Almeida Dutra. F. do pintor Joaquim Miguel Dutra (v.) e irmão dos artistas plásticos Alípio, Antônio de Pádua, João e José Benedicto (vv.). Artista plástico, professor, escritor, conferencista. Formou-se professor do ensino elementar pela Escola Normal Oficial de Piracicaba, futura Sud Mennucci, em 1927. Após classificar-se em primeiro lugar no concurso público para ensino de desenho em 1929, lecionou na Escola Normal de São Carlos. Em 1939 foi o vencedor de prêmio de viagem à Europa para aperfeiçoamento artístico, que lhe foi atribuído, após concurso público, pelo governo paulista. Em 1947 obteve o primeiro lugar, com direito a matricular-se no 4° ano, em provas de ingresso na “Academia di Belle Arti” de Roma, diplomando-se por esta em primeiro lugar em 1948. Foi igualmente aprovado em 1947 no concurso para ingresso na “Reggia Accademia di San Luca”, em Roma. De 1935 a 1944 pertenceu ao quadro docente da ESALQ, tendo ainda lecionado de 1944 a 1963 na Escola Normal em que se formou e onde se aposentou. Doutorou-se na ESALQ em 1973. O Ministério da Educação encarregou-o de preparar os programas de ensino de desenho nas escolas de nível médio do país. Em 1953 fez parte do grupo que fundou a Escola de Música de Piracicaba e foi seu primeiro presidente (1953- 56). Lecionou desenho artístico na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP de 1950 a 1954, após aprovação em concurso público. Em 1967 tornou-se membro do primeiro conselho de curadores da Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba. A cidade deve-lhe a idealização do brasão (1952) e da bandeira (1953) do município e do Salão Anual de Belas Artes, criado em 1953; a construção da Casa de Artes Plásticas Miguel Arcanjo Benício de Assunção Dutra, à rua Moraes Barros, nº 233, e da Sociedade Beneficente Treze de Maio; colaborou nos estudos que resultaram na construção do Estádio Municipal Barão de Serra Negra. São de sua autoria os projetos do Marco da Bandeira, demolido, à praça José Bonifácio; a mansão residencial da Usina Monte Alegre; o edifício do curso de pós-graduação em economia da ESALQ; o mausoléu de Luiz Vicente de Sousa Queiroz e sua esposa, no campus da ESALQ; o mausoléu de Almeida Junior, no cemitério municipal. Elaborou desenhos para bandeiras, brasões e medalhas. Entre os numerosos títulos e medalhas que recebeu destacam-se os seguintes: medalha Imperatriz Leopoldina, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, 1958; medalha do Bicentenário de Piracicaba, 1967; medalha de mérito e cultura, da Sociedade de Amigos do Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, 1973; medalha da Revolução Constitucionalista de 1932, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo; medalha Almeida Júnior, do governo do Estado; medalha da Ordem do Mérito Ipiranga, a mais alta condecoração do governo do Estado, 1980. Participou de grande número de salões de arte e exposições, ganhando medalhas e primeiros prêmios, nos Salões Paulistas de Belas Artes (1935, 1938, 1939, 1941, 1951, 1954, 1957, 1958, 1963, 1979). Participou como membro do júri desse salão numerosas vezes. No Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, obteve medalhas e prêmios em 1927, 1928, 1929, 1930, 1942 e 1943, neste último ano com o quadro “Beira D’Água - Piracicaba”, galardoado com o prêmio máximo do salão. Conquistou igualmente medalhas e prêmios em salões realizados em Jaboticabal (1967), Limeira (1974, 1977), Santa Bárbara d’Oeste (1972), Rio Claro (1977). Teve obras expostas no exterior, notadamente em Lisboa (1940), Roma (1949), Nova York (1958), Paris. Suas pinturas encontram-se nos acervos de museus e galerias oficiais e particulares do Brasil e do exterior. Fez parte do grupo de fundadores da Associação dos Artistas Plásticos de Piracicaba, APAP, em 1980, da qual foi o primeiro presidente, e pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba desde a sua fundação, integrando a comissão encarregada de organizá-lo, em 1967. “Empreendedor, líder, envolvente, participante, tem seu nome ligado a grande número de iniciativas e realizações nos domínios artístico e cultural da cidade e do Estado” (Pfromm Netto e Martins, 2003). Lembra Mello (1999) que, grandalhão, de hábitos simples, apreciador de pescarias, bons papos e bons doces, Arquimedes Dutra foi, quando moço, jogador de basquete (capitão da equipe de bola ao cesto da Escola Normal em 1927-28, segundo Losso Netto, 1963) e tenista. Uma avenida de Piracicaba tem seu nome, na vila Santa Rosa Ipês, perto da rodovia Fausto Santomauro (SP-127).



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.