BRUHNS, Johann Ludwig Hermann (João Luiz Germano Bruhns)

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N. Lübeck, Alemanha, 15.3.1821. F. Kassel, Alemanha, 12.4.1893. C. 1as núpcias em 1847 no Brasil com Maria Senhorinha da Silva, foram pais de Manoel Pedro, Maria Louise, Luiz, Júlia e Paulo, todos nascidos em Angra dos Reis, RJ, entre 1848 e 1852. A filha Júlia da Silva Bruhns (1851-1923) casou-se em 1869 com Thomas Johann Heinrich Mann, n. (1840) e f. em Lübeck (1891), na Alemanha. Júlia foi mãe de dois famosos escritores: Ludwig Heinrich Mann (1871-1950) e Paul Thomas Mann (1875-1955), considerado o maior romancista da literatura germânica do século 20 e prêmio Nobel de literatura em 1929. Após a morte da esposa brasileira em 1856 no Rio de Janeiro, João Germano voltou a casar-se, com a viúva de um seu irmão, Emma Bruhns, em 1873, em Wiesbaden, na Alemanha. João Germano viveu em Piracicaba por volta dos anos 70, tendo constituído uma empresa de navegação fluvial juntamente com o coronel Francisco António de Souza Queiroz (1806-1891), futuro barão de Souza Queiroz, fazendeiro abastado e gran- de proprietário, que foi senador do Império. Souza Queiroz era filho do Brigadeiro Luiz Antônio de Souza (Macedo e Queiroz) e tio de Luiz Vicente de Souza Queiroz. Autorizados pelo decreto imperial nº 5.290, de 24.5.1873, Bruhns e Queiroz criaram a Companhia Fluvial Sul Paulista, com estatutos aprovados em no-vembro de 1873, para a exploração do transporte fluvial no rio Piracicaba, iniciado com um pequeno barco de seis cavalos, o vapor Explorador, lançado às águas a 13.1.1874. A empresa funcionou durante vários anos e teve em 1882 uma frota de quatro vapores, lanchas e batelões, tendo transportado uma média de 240 mil toneladas de mercadorias por ano. Em 1885 foi vendida à Estrada de Ferro Ituana. Após deixar Piracicaba, João Germano passou a viver em Parati (ou Angra dos Reis). Krüll (1997) transcreve um depoimento de Júlia Mann, datado de 1906, no qual esta lembra que João Germano comprou um caixote com dinamite em Hamburgo, trazendo-o para Piracicaba. “Com esta dinamite, explodiu junto com os seus engenheiros suíços os vários desníveis do rio, aplainando o seu leito de Piracicaba até Lençóis, de modo que, depois de três anos de trabalho, o primeiro navio, ocupado obviamente por seu pessoal, pôde fazer a viagem de ida e volta com sucesso. Depois disso, construíram vários navios a vapor pequenos e encomendaram outros na Suíça”. De acordo com Júlia Mann, sua filha, durante as viagens que fez pelo rio Piracicaba João “contraiu malária, perdeu o interesse (pelo negócio) e demitiu-se do cargo de diretor. Isto ocorreu repentinamente e logo a seguir eles venderam sua pequena e querida propriedade em Piracicaba e voltaram para a Europa” (Krähenbühl, 1994). No “Almanak de Piracicaba” de Camargo (1900), vê-se que a empresa de navegação continuava em atividade no início do século 20, “partindo o vapor de Porto João Alfredo às 6 horas da manhã todos os dias 4, 12, 20 e 28 para as estações da fluvial” (p. 303). Bruhns levou à Alemanha as filhas Maria e Júlia, pondo-as num pensionato, e confiou os três filhos homens ao casal von Bippen, em Lübeck. Os filhos Manoel Pedro, Luiz e Paulo regressaram ao Brasil. Este último, casado com a brasileira Amália Moraes Camargo Mendes, foi diretor de uma fábrica em vila Raffard. Tiveram oito filhos, nascidos entre 1882 e o fim do século: Edgar, Oskar, Paulo, Amália, Elisa, Helena (Anna), Ida e Odila.



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.