BOTTENE, João

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. N. Piracicaba a 5.5.1892. F. Piracicaba a 7.10.1954. Industrial, mecânico, músico. C. c. Maria Giusti Bottene, pai da Zaíra Artêmia Fleury, a primeira mulher aviadora de Piracicaba, Artêmio Bottene e Amnéris Bottene. Tio de Alcebíades e Pedro Bottene (v.). Filho dos emigrantes Pietro Bottene (v.) e Maria Tereza Cebelle, desde menino revelou seu gosto pela mecânica. Tinha 17 anos quando fez um veículo em miniatura a vapor, o “locomóvel”. Gostava igualmente de música. Após aprender piston e bandolim, integrou na cidade, ainda adolescente, a Corporação Musical Carlos Gomes. Na oficina instalada pelo pai e junto aos seus irmãos, João destacou-se cada vez mais pelo seu engenho e competência, notadamente na mecânica de automóveis. Com o engenheiro agrônomo e futuro prefeito José Vizioli (v.), levou avante o projeto do primeiro carro movido a álcool do país, um Ford 1929, que circulou em 1930, em percurso da usina Monte Alegre ao centro da cidade. Destacou-se igualmente pelo seu pioneirismo no emprego do álcool como combustível de avião. Fez barcaças para o transporte de cana-de-açúcar e durante a revolução de 1932 fabricou granadas de mão na oficina da família. Após a venda da oficina a Pedro Morganti (v.), este o contratou como gerente técnico da usina em Monte Alegre, onde João construiu as primeiras locomotivas a vapor feitas no país. A locomotiva n 1, que recebeu o nome de Fúlvio Morganti, funcionou em bitola de 600 mm durante muitos anos na usina, transportando cana, lenha, álcool, açúcar etc. A segunda, com o nome de Dona Joaninha, foi utilizada em bitola de 800 mm pri-meiramente na usina Tamoio, na região de Araraquara, e posteriormente na Estrada de Ferro Cantareira. Por ocasião da 2ª Guerra Mundial, criou e instalou aparelhagem para a utilização de gasogênio em veículos da usina. Conjuntamente com Pedro Morganti, João Bottene idealizou e fundou o Aeroclube de Piracicaba, em terreno dado pelo primeiro. O entusiasmo pela aviação levou João a aprender a pilotar e obter em fins de 1939 seu brevê e a comprar e recuperar um avião para a família, o “Borboleta Azul”, um Piper Club J3. Após deixar a usina Monte Alegre, associou-se a Ruben de Souza Carvalho (v.) e a empresários piracicabanos renomados para criar em 1947-48 a Metalúrgica de Acessórios para Usinas S.A., MAUSA. Com esta, Bottene e Carvalho, nas palavras de Elias Netto (2003), implantaram “uma revolução na modernização das usinas brasileiras”. Uma rua em Vila Monteiro tem o nome daquele que merecidamente ganhou o título de gênio da mecânica de Piracicaba. Existem em Santa Terezinha a rua Maria Bottene e na Chácara Nazareth uma rua em homenagem à filha Amnéris Bottene, n. 1916 e f. 1991, professora da Escola Estadual Sud Mennucci, onde se aposentou em 1978. (Jornal de Piracicaba, 22.1.1995, 27.10.1996, 21.9.2003; J. U. Nassif, A Tribuna Piracicabana, 24.7.2007).



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.