DUTRA, Joaquim Miguel

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N. Piracicaba, 19.6.1864. F. Piracicaba, 29.4.1930. C.c. Malvina de Almeida Dutra. Ff.: Alípio, Antonio de Pádua, Archimedes, João, José Benedicto (vv.), Helena, Maria do Carmo. Filho de Miguel Ângelo Bonarroti Dutra (v.) e neto do Miguelzinho, Miguel Arcanjo Benício de Assumpção Dutra (v.), pai de uma plêiade de artistas plásticos, é, ele próprio, nome de primeira grandeza na história da arte em Piracicaba. Foi pintor, escultor em madeira, decorador, professor de pintura, compositor musical e instrumentista de oficlide. Como músico, deixou numerosas composições: valsas, tangos, dobrados, xotes, peças para piano e outros instrumentos de solo. Fez parte de várias orquestras locais e apresentava-se em concertos locais juntamente com a Baronesa de Rezende, que era pianista, na casa desta. Como pintor e decorador, embelezou numerosas igrejas no interior paulista (Capivari, Limeira, São Carlos, Caconde, Itapira) com cenas bíblicas e figura de santos, tendo também decorado residências como as da Baronesa de Rezende, de José Leite Negreiros e do prof. Adolfo Carvalho, a igreja Metodista de Piracicaba, o prédio da Sociedade Italiana de Mútuo Socorro, o antigo Teatro Santo Estêvão. Esculturas sacras de sua autoria encontram-se em Igrejas como a Matriz de Santa Bárbara d’Oeste (imagem de Santa Bárbara no altar-mor) e em Limeira (Menino Jesus e São José). Na pintura, Cosentino (1985) destaca-o como um dos principais mestres do realismo ingênuo da região piracicabana. Dentre estes foi o que mais pintou o rio Piracicaba e adjacências, notadamente no trecho que vai da curva da rua do Porto ao Salto (Mello, 1999). O autor citado comenta que Joaquim Miguel “pintava com muita poesia e ternura os seus quadros, mas freneticamente, não raras vezes em série”, vendendo-os por preços irrisórios ao primeiro interessado que aparecia e usando o dinheiro ganho para comprar cerveja e pastéis. “Muitas de suas telas eram vendidas com as tintas ainda frescas”. Estima-se que tenha feito cerca de 4 mil telas sobre Piracicaba. “Segundo depoimento de seu neto Gilberto Dutra, era apaixonado por quatro coisas: pintura, pescaria, cerveja e jogo-do-bicho”. Joaquim Miguel, segundo Cosentino (cit. por Mello, op. cit.), “tinha o espírito de artista, o temperamento de artista, a despreocupação comum a tantos artistas. Esta é a atmosfera que vamos encontrar em seus quadros”. Velloso (2000) reproduz duas dezenas de suas belíssimas telas, quase todas sobre o rio Piracicaba e arredores, pertencentes a coleção particulares. Há uma rua com seu nome no Jardim São Paulo.



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.