COBRA, Vitório Ângelo (Cobrinha)

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Seres-teiro, compositor, funcionário público. N. Tanquinho, SP, 25.8.1908. F. Piracicaba, 3.11.1995. C.c. Rosalina Fisher Cobra. Ff.: Rosalvito, Rovil. Maior nome das serestas piracicabanas do século vinte, era filho de António e Ana Taddioto Cobra, imigrantes italianos de Treviso. Começou a sua vida artística aos 14 anos de idade, como integrante do conjunto “Choro Cobra”, no qual atuava como instrumentista e cantor, junto a seus irmãos Pedro, que coordenava o grupo, Salvador, João e António. Começou tocando pandeiro, depois cavaquinho e violão. Foi leiteiro, marceneiro e fabricante de gaiolas, antes de ingressar no funcionalismo público. Em 1932, juntamente com Mariano, no estúdio da Colúmbia em São Paulo, foi o primeiro a gravar a canção “Piracicaba”, de Newton de Mello (v.), convertida depois em hino oficial da cidade. Voltou a gravá-la sete vezes, em diferentes gravadoras. Com mais de oitenta anos, continuou a cantar e a apresentar um programa de rádio em emissora local, tal como vinha fazendo desde 1929-30. Na capital paulista, Cobrinha participou da inauguração da rádio Educadora Paulista, primeira emissora de rádio de São Paulo, sendo essa a primeira vez que se viu diante de um microfone. Cantou ao lado de grandes nomes da música popular brasileira, como Francisco Alves, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Gilberto Alves e Vicente Celestino. Gravou mais de uma centena de músicas e quatro dezenas de discos em “long play”. Formou com Mariano e Capitão um trio de intérpretes notáveis de canções, valsas, toadas e música sertaneja, que nos anos quarenta gravou o “long play” “Mágoas de Carreiro”, no qual Cobrinha cantou em todas as faixas, acompanhado pelos companheiros. O disco inclui composições dos piracicabanos Pedro de Mello (“Piracicaba”), Erotides de Campos, Leandro Guerrini (vv.) e Benigno Lagreca. Em 1990, o antigo “long play”, convertido em CD pela gravadora “Revivendo”, de Curitiba, foi lançado oficialmente em Piracicaba, no mês de junho. “Mantendo o espírito sempre jovem”, nas palavras de Geraldo Nunes (1988), Cobrinha foi uma “autêntica lição viva de dignidade artística, de sucesso constante, de calor humano, de eterno amor ao gênero que abraçou... a seresta. No seu imenso repertório, as canções de ontem estão presentes com o que possuem de mais belo e poético, de mais sincero e mais nosso... Cobrinha é a história das canções de nossa terra”. Em depoimento prestado à jornalista Celina Pereira em 2005, o irmão caçula, Oswaldo Cobra, lembrou que Cobrinha, muito conhecido pela simplicidade e espontaneidade, “tocava muito bem o violão e não cobrava pelas apresentações. Viajou bastante a convite de várias cidades do Rio de Janeiro e do interior de São Paulo e somente em troca das despesas com a viagem. Ele morreu pobre e cantava por puro amor”. Em julho de 1993 a prefeitura e a câmara municipais instituíram oficialmente uma semana com seu nome: “Semana Vitório Ângelo Cobra”, realizada desde então, na qual seresteiros piracicabanos relembram as músicas do seu repertório. O pai e um filho de Cobrinha dão nome a ruas da cidade: rua António Cobra, no Jardim Petrópolis, e rua Rosalvito Cobra, na Vila Cristina.


Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.