CARVALHO (Júnior), José da Costa, Marquês de Monte Alegre

De IHGP
Ir para: navegação, pesquisa

N. Salvador, BA, 7.2.1796. F. São Paulo, 18.9.1860. C. 1as núpcias em 1828 c. Genebra de Barros Leite, f. 1837, viúva do brigadeiro Luiz Antônio de Souza Queiroz (v.), e em 2as núpcias em 1839 c. Maria Isabel de Souza e Alvim (1825-1877). Esta última, após a morte do marido, casou- se em 1861 com António da Costa Pinto e Silva (v.), perdendo assim, o direito de usar o título de Marquesa de Monte Alegre. Seu pai, José da Costa Carvalho, c.c. Inês Maria da Piedade Costa, n. por volta de 1775, foi patrão- mor da Barra da Bahia. O filho do mesmo nome estudou, quando moço, em Portugal, formando-se como doutor em leis aos 23 anos pela Universidade de Coimbra. Foi juiz foral e ouvidor na cidade de São Paulo e nesta se fixou, exercendo os dois cargos entre 1821 e 1822. Estabeleceu-se em 1822 com loja de fazendas à rua do Ouvidor, na capital paulista (Ribeiro, 1899). Deputado à Assembléia Constituinte Brasileira de 1823 pela Bahia, convocada por D. Pedro I, e representante da Bahia na Assembléia Geral Legislativa reunida na corte em 1826, elegeu-se deputado em São Paulo (1838-41). Firmou-se como um dos mais destacados políticos brasileiros, chegando a presidir a Câmara dos Deputados e depois o Senado. Fez parte da Regência Trina Permanente, quando da abdicação de D. Pedro I, até julho de 1833, época em que, alegando motivos de saúde que mal ocultavam seus desgostos na vida política, retirou-se para Piracicaba, ao estourar a Revolução Liberal de Sorocaba. Não hesitou em deportar o padre Feijó (antes amigo e depois inimigo) para o Espírito Santo, “por ver na sua permanência em São Paulo ameaça constante à ordem pública” (Alves, 1986). Costa Carvalho foi derrotado por Feijó nas eleições para a regência una. Em 1835 assumiu a direção da faculdade de Direito de São Paulo, cargo que ocupou durante dois anos. A província de Sergipe o elegeu para senador em 1839. Foi senador (vitalício) por Sergipe de 1839 até 18.9.1860. Após a abdicação do imperador e com a cisão do partido liberal, nos tempos em que a vida partidária brasileira se dividia entre os “moderados” do Partido Conservador, os “exaltados” do Partido Liberal e os “reacionários”, adeptos da volta de D.Pedro I, que constituíam o partido “Caramuru”, Costa Carvalho passou do grupo liberal para o Partido Conservador. Em 1841 recebeu o título de barão de Monte Alegre, nome referente à fazenda de sua propriedade em Piracicaba. Foi presidente (governador) de São Paulo em 1842. Tornou-se conselheiro de Estado em 1842 e recebeu os títulos de visconde em 1843 e marquês em 1854. Como ministro do Império, integrou o gabinete conservador do marquês de Olinda e em 1849- 50 foi seu substituto na presidência do gabinete. O gabinete Olinda-Monte Alegre é tido como um dos mais brilhantes da monarquia. Nessa ocasião, foi posto fim à Revolta Praieira de Pernambuco. Costa Carvalho realizou a política de intervenção armada do Brasil no Rio de Prata, a que se opunha o seu antecessor, mas tida como necessária por D. Pedro II e outros membros do Governo. Além disso, foi responsável por várias leis importantes dessa época, entre as quais o código comercial, a Lei das Terras e a que extinguiu o tráfico negreiro, conhecida como “Euzébio de Queiroz”. Foi fundador e 1º presidente da Sociedade de Estatística do Brasil (1854) e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro desde 1859. Costa Carvalho casou-se em 1822 com a viúva do brigadeiro Luiz Antônio de Souza Queiroz e co-proprietária da Fazenda Monte Alegre. “Foi assim, e por dissolução da sociedade mantida com o dr. Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, que, a bem dizer, o futuro presidente da província de São Paulo se tornou proprietário da Fazenda Monte Alegre” (Guerrini, 1970). De acordo com Sisson (1948), Monte Alegre “foi sempre respeitado e tido na maior consideração... administrador, foi sempre reto e justiceiro, tanto quanto prudente e inteligente... um nome respeitável e um vulto venerado”. José da Costa Carvalho figura na história da imprensa no Brasil como o introdutor da tipografia na então província de São Paulo. Foi o fundador, diretor e redator principal do O Farol Paulistano, o primeiro jornal de São Paulo e primeiro jornal de fato, porque impresso e em oficina própria. Começou a circular a 7.2.1827, quando Costa Carvalho completava 31 anos de idade. O Farol Paulistano “foi realmente um marco para a vida de São Paulo, de orientação nitidamente liberal” (Nobre, 1950). Para Freitas (1915), o primeiro jornal bandeirante, que desapareceu em 1832, “foi um dos maiores paladinos da reação liberal à política dos desmandos e de absolutismo de Pedro I” (p. 345). O jornal circulava na capital e no interior de São Paulo e até mesmo em outras províncias. Frequentemente estampava cartas à redação provenientes de cidades interioranas. No nº 330, por exemplo, publicado em 15 de abril de 1830, um pira-cicabano anônimo que se auto-denominava “O Rival dos déspotas” escreveu ao Farol sobre “um fato horroroso na Vila da Constituição, em opróbrio de todas as Leis e do Código fundamental”, referindo-se aos suplícios a que foi submetido, por determinação do juiz de paz local, um suposto escravo. O jornal circulou até meados de 1832. “Morreu, como viveu”, nas palavras de Paulo Duarte (1958). “Defendendo a liberdade de imprensa e defendendo-a sem medo. Por isso mesmo foi processado por abuso de liberdade (em janeiro de 1829)... O primeiro jornal, o primeiro processado”. Impresso em prelo de madeira, trazia o Farol, junto ao título, em francês, esta legenda: “A liberdade é uma bigorna que usará todos os martelos” (Pfromm Netto e Martins, 2003). Além de Monte Alegre ser bairro e estrada, há uma avenida Marquês de Monte Alegre na Paulista e uma escola Marquês de Monte Alegre.


Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.