BARROS, Prudente José de Moraes

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N. Itu, 4.10.1841. F. Piracicaba, 3.12.1902. Presidente da República (1894-1898), governador de São Paulo (1889-90), senador (1890-94). Advogado. Filho do lavrador e tropeiro José Marcelino de Barros, que tinha um sítio perto de Itu, onde Prudente nasceu, e de Catarina Maria de Moraes. A mãe casou-se pela segunda vez com Caetano José Gomes Carneiro. C.c. Adelaide Bemvinda de Moraes Barros (n. Piracicaba, 17.9.1848, f. 8.11.1911, Berlim, Alemanha), filha do seu padrinho António José da Silva Gordo. Ff: António Prudente, Carlota, Gustavo, Júlia, Maria Amélia, Paula, Prudente (Filho). Teve ainda duas filhas, Maria Teresa e Maria Jovita, que faleceram quando menores, e um filho natural, José, n. de uma ligação na mocidade, que ele e a esposa criaram como filho do casal desde os três anos de idade. Irmão de Manoel de Moraes Barros (v.), Prudente teve outros cinco irmãos, todos nascidos antes dele. Aos dois anos de idade, perdeu o pai, assassinado por um escravo. A mãe o alfabetizou e ele estudou no Colégio Ituano e no Colégio Manuel Estanislau Delgado. Após cursar a Faculdade de Direito de São Paulo (1859-63), mudou-se para Constituição (Piracicaba), onde passou a advogar e se casou. Sua carreira política começou quando foi eleito vereador e presidente da municipalidade piracicabana (1865-68). Pertenceu ao Partido Liberal, mas ingressou no Partido Republicano em 1876. Foi deputado provincial nos períodos de 1868-69, 1878-79, 1881-82 e 1888-89, e deputado geral em 1885- 86. Em 1889 fez parte da Junta Governativa de São Paulo, ao ser instaurada a República, e em seguida tornou-se o primeiro governador republicano paulista (14.12.1889 a 18.10.1890). No Senado de 1890 a 1894, foi seu vice- presidente e presidiu o Congresso Constituinte de 1890 a 1891. Disputou pela primeira vez a Presidência da República com Deodoro da Fonseca (1891), sendo derrotado por este, por 122 a 95 votos, mas saiu vitorioso por ocasião da sucessão de Floriano Peixoto, quando se tornou o primeiro presidente civil do país (15.11.1894 a 15.11.1898). Retornou a Piracicaba no dia 19.11, em meio a expressivas aclamações populares. Na passagem pela capital paulista, foram suas estas palavras: “Volto hoje para o meio de vós, trazendo na minha fisionomia, nos meus cabelos brancos, o atestado de que, se não fiz todo o bem que desejava, fiz quando me permitiram as circunstâncias, dei tudo pela Pátria e pela República... Se ainda puder fazer alguma coisa por ela, ficai certos de que não sou um egoísta; darei os meus últimos instantes de vida pela minha Pátria e pela República!”. A 23.11 Piracicaba o acolheu de volta, em trem especial, na estação da Ituana. Saudou-o João Sampaio: “Como a Pátria inteira, eu acompanhei com interesse toda a trajetória luminosa de vosso governo de justiça e honestidade: vi cintilar com mais brilho a vossa estrela, triunfando sobre os mercadores da honra nacional” (em Peixoto, 1990). Reabriu o escritório de advogado na cidade, convidando seu genro João Sampaio para associado, e retomou as atividades profissionais. “De 1898 a 1902 viveu tranqüila e modestamente em Piracicaba, com a simplicidade dos grandes homens, advogando em sua casa, à rua Santo António” (Beneton, 1993). Na sua atuação como político e homem de governo, são inumeráveis as iniciativas, propostas, medidas, colaborações e manifestações que refletem tanto o brilho da sua inteligência invulgar como a sua serenidade e coragem e o seu altíssimo senso cívico, aliados a grande tino e firmeza. Foi um dos que empunharam a bandeira abolicionista nos debates parlamentares, referindo-se à escravatura como “instituição que nos envergonha perante o mundo civilizado” e afirmando sem titubear que era necessário eliminar o escravo e colocar no seu lugar o trabalhador livre. Participou da defesa dos imigrantes vítimas da violência policial em Piracicaba, sendo um dos fundadores da Associação Protetora das Vítimas da Ilegalidade Policial, em 1888. Em sua gestão presidencial, iniciou as negociações que possibilitaram a consolidação das dívidas com a Inglaterra numa única dívida, que abriu o caminho para o saneamento das finanças do país. Conseguiu a pacificação do Rio Grande do Sul e garantiu a posse definitiva da ilha Trindade para o Brasil, fazendo com que o Governo britânico reconhecesse em 1896 a legitimidade da nossa soberania. Enfrentou a revolta de Canudos. Em 1897 foi vítima de um atentado arquitetado por seus inimigos políticos e conspiradores, no qual perdeu a vida o ministro da guerra, Marechal Carlos Machado Bittencourt. “Foi um dos mais ardorosos defensores da autonomia municipal, da federação, das idéias republicanas e dos interesses da política do café... assegurou o controle do governo da República pelos civis, explorando com precaução e habilidade as dissensões internas das Forças Armadas... teve que enfrentar vários focos de oposição herdados do governo anterior e protagonizados pelo Exército, funcionalismo público e governadores de estados”, segundo Souza (2006). Este assinala que, “homem reservado, de pouca prosa”, desde os tempos de vereança em Piracicaba, Prudente de Moraes “fugia das reuniões festivas ou muito formais”. Padecendo de tuberculose, faleceu em sua residência, cercado dos familiares, e foi sepultado numa tarde tempestuosa no cemitério da Saudade. Pouco antes de morrer, disse que desejava que a sua sepultura fosse “assinalada apenas por uma pedra, tendo como inscrição meu nome e as datas do meu nascimento e morte”. A casa da rua Santo António em que viveu, na esquina com a rua Treze de Maio, é hoje sede do Museu Prudente de Moraes, inaugurado em 1957. Contêm no seu acervo objetos de uso pessoal, documentos, fotografias, pinturas. Piracicaba deve a Prudente não poucos benefícios, entre os quais a lei nº 21, de 13.4.1877, que fez com que a cidade deixasse de ser Constituição e recuperasse o antigo nome. “Prudente viveu a maior parte da vida nesta Piracicaba, para onde veio sua mãe Catarina Maria, depois do segundo casamento. Foi aqui que ele ergueu sua casa, nasceram seus filhos, construiu sua vida profissional e política e onde ele desejava morrer e ficar enterrado” (Setto, 1995). Passou a chamar-se Prudente de Moraes uma rua da cidade que, no passado mais distante, teve várias denominações: rua dos Pescadores, rua do Concelho, rua da Ponte Velha. Seu nome foi igualmente atribuído a um tradicional estabelecimento de ensino, a Escola Estadual Dr. Prudente de Moraes, à praça General Carlos M. Bittencourt (Cidade Alta). Em 1974 foi instituída a Medalha de Mérito Prudente de Moraes, destinada a cultuar sua memória e que vem sendo atribuída anualmente a personalidades de destaque desde então.



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.