BARROS, Manoel de Moraes

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Advogado, agricultor, político, deputado e senador. N. Itu, SP, 1.5.1836. F. Rio de Janeiro, 20.12.1902. F. de José Marcelino de Barros e Catarina Maria de Moraes. Irmão de Prudente José de Moraes Barros (v.), foi um dos grandes vultos do passado político e administrativo piracicabano. C.c. Maria Inês de Moraes Barros, f. de António José da Silva Gordo e Ana Brandina de Barros Silva. Esta última era irmã da esposa de Prudente de Moraes. Ff.: Ana Maria, Paulo, Nicolau, António, Elisa, Jorge, Leonor, Pedro, Lúcia. Estudou na capital paulista no Colégio de Manuel Estanislau Delgado e cursou a seguir a Academia de Direito, tornando-se bacharel em direito em 1857. Nomeado promotor público de Piracicaba logo após sua formatura, foi juiz municipal de 1860 a 1864 e a seguir passou a advogar. Publicado o manifesto republicano de 1870, assinou com outros quinze amigos um manifesto de solidariedade, estampado no jornal “A República”. Sua influência foi decisiva para a criação do Partido Republicano de Piracicaba. Compareceu como delegado do partido à famosa convenção de Itu (1873). Em 1881 o senador hospedou em sua residência a educadora norte-americana miss Martha Watts e a companheira desta, mrs. Kroger, vindas a Piracicaba com o propósito da fundação de uma escola, o Colégio Piracicabano. Elegeram-no para a Assembléia Provincial, no biênio de 1884- 1885. Vereador da Câmara Municipal local, foi seu presidente (1887), tendo liderado nos anos 80 a luta pela construção do mercado municipal. Fez parte do triunvirato que, juntamente com Luiz Vicente de Souza Queiroz e Paulo Pinto de Almeida (vv.), assumiu provisoriamente em novembro de 1889, sob aclamação popular, o governo municipal. Formou em Piracicaba sua fazenda de café do Pau d’Alho. Em 1890 foi eleito deputado à Constituinte da República e deputado no Congresso Nacional nas suas duas primeiras legislaturas ordinárias de 1891 a 1896, cabendo-lhe a presidência da primeira câmara legislativa da União, após a Constituinte. Exerceu em Piracicaba numerosos cargos, entre os quais os de juiz de paz, delegado de polícia, inspetor da instrução pública e membro do conselho superior desta. Em 1895 foi eleito senador federal na vaga de seu irmão então empossado como Presidente da República, permanecendo durante sete anos no Senado, até a morte, ocorrida em 1902. Dizem bem do seu espírito público o generoso auxílio que fez para a compra do edifício da Sociedade Propagadora da Instrução, que abrigou a Escola Complementar de Piracicaba, origem da escola normal oficial, e o donativo que ofereceu para a construção do grupo escolar que tem seu nome. Está sepultado em Piracicaba, no Cemitério da Saudade, ao lado de Prudente de Moraes. “Foi de dedicação sem limite à terra de sua opção” (Guerrini, 1970). “Se foi um exemplar chefe de família, como político a sua vida foi um nobre exemplo de dedicação à causa pública... Foi um dos puros republicanos históricos, um dos convencionais de Itu, um dos valentes propagandistas que tão largas brechas souberam abrir nas velhas instituições monárquicas” (Capri, 1914). É patrono do Grupo Escolar Moraes Barros, posteriormente Escola Estadual Moraes Barros.


Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.