BARROS, Luiz Pedroso de

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de (Séc. 17-18). F. Parnaíba, SP, 30.4.1730. Sertanista e explorador emérito, paulista, também conhecido pelo nome de Luiz Pedroso Castanho, filho de Lourenço Castanho Marques e Maria de Araújo. Personagem importante dos tempos que culminaram com a fundação de Piracicaba. Participou ativamente da guerra dos emboabas, no início do século 18, em Minas Gerais. No rio das Mortes, em 1709, fazia parte da tropa de Amador Bueno da Veiga e teve desavença com este porque, a seu ver, a retirada não devia ser efetuada. Recolheu-se a seguir à vila de Parnaíba, onde tinha moradia, e casou-se com Agostinha Rodrigues. Esteve foragido por algum tempo, por ter encabeçado a expulsão de Antônio de Soutomaior, desembargador sindicante, da capitania de São Paulo, em 1712 (Franco, 1954). Em 1722, de acordo com Perecin (2000), “objetivando alcançar o perdão por um crime que não cometera, empresariou a abertura do célebre Picadão de Mato Grosso, cujo risco, ligando São Paulo a Cuiabá, atravessava o rio Piracicaba, bem à altura do porto, próximo ao seu formoso Salto”. Guerrini (1970) registra que, segundo carta ao capitão-general (governador geral) de São Paulo, d. Rodrigo César de Menezes, datada de 2.5.1724, Pedroso de Barros partiu de Itu, a 2 de agosto, “seguindo o caminho do Rio Capivari, e daí ao Rio Piracicaba, e deste ao morro de Araraquara”. Não há dúvida, diz Guerrini, que essa viagem se referia a explorações relativas ao caminho para as minas de Cuiabá. A 26 de agosto, d. Rodrigo comunicou ao rei de Portugal que Pedroso de Barros estava fazendo com inteiro êxito o caminho às minas de Cuiabá. Guerrini louva-se em Mário Neme, que assevera: “O que é mais certo ainda, e indiscutível, é que foi Luiz Pedroso de Barros quem, pelos anos de 1723 a 1725, abriu o caminho de São Paulo até o rio Paraná, à sua custa. Essa estrada atravessava o rio Piracicaba”. Em 1725 o governador-geral da capitania concedeu a Pedroso de Barros, por haver concluído esse caminho, “a mercê do hábito das três ordens, com a tença de cincoenta mil réis cada ano pagos das minas de Cuiabá”. Em 1726 (8 de maio), d. Rodrigo César de Menezes comunicou ao rei de Portugal a conclusão do caminho para as minas de Cuiabá “pelo sargento-mor Luiz Pedroso de Barros, merecedor, por isso, do Hábito de Cristo, honraria insigne para a época”. Nesse ano foi trazido de Mato Grosso para São Paulo o primeiro comboio de gado vacum e cavalar pelo caminho aberto por Pedroso de Barros, incumbindo-se disso seu sobrinho e grande sertanista Manuel Dias da Silva, mestre de campo. Posteriormente, contudo, o caminho não teria sido muito usado, porque mal feito, ou em virtude dos indígenas que infestavam as suas margens ou, ainda, pelo descaminho do ouro que possibilitava. Pedroso de Barros foi sargento-mor do regimento de auxiliares da vila de Parnaíba.


Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.