BARROS, Adhemar Pereira de

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. N. Piracicaba, 22.4.1901. F. Paris, França, 12.3.1969. C.c. Leonor Mendes de Barros. Ff.: Maria, Adhemar Filho, Antônio. Era filho de António Emídio de Barros e Elisa Pereira de Barros e neto de José Emídio de Barros, bem como de João Inácio Pereira Pinto, n. Piracicaba. Passou a infância em São Manoel, SP e formou-se em 1923 pela Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, tendo feito estudos pós-graduados no Instituto Oswaldo Cruz e residência médica na Europa. De 1927 a 1932 atuou como médico ginecologista. Foi prefeito de S. Miguel, SP. Participou da Revolução Constitucionalista de 1932. Pertenceu inicialmente ao Partido Republicano Paulista (PRP), mas afastou-se deste com o advento do Estado Novo, tendo feito oposição a Vargas de 1934 a 1937. Foi eleito deputado e constituinte estadual nas eleições de 1934 e em 1937 teve seu mandato cassado por Vargas. De 1938 a 1941 foi interventor federal no Estado de São Paulo. Por ordem de Vargas, determinou em 1940 a intervenção no jornal “O Estado de São Paulo”, que se opunha ao Estado Novo, voltando o jornal aos seus proprietários somente em fins de 1945. Fundou e liderou o Partido Social Progressista (PSP), surgido em 1946, que resultou da fusão do Partido Republicano Progressista, criado por ele, com o Partido Popular Sindicalista e com o Partido Agrário Nacional. Presidiu o PSP durante cerca de duas dezenas de anos. Em 1947 elegeram- no para governar o Estado de São Paulo. Em 1950 o PSP de Adhemar aliou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), para lançar a candidatura vencedora de Getúlio Vargas à presidência da República. Em troca do apoio a Vargas, couberam ao PSP a vice-presidência do País, confiada a Café Filho, e o Ministério da Viação e Obras Públicas. O Ato Institucional nº 2 extinguiu o PSP e a maioria dos ademaristas filiou-se à Arena. Em 1954 Adhemar disputou o governo paulista com Jânio Quadros, sendo derrotado por este. Em 1955 perdeu a eleição presidencial para Juscelino Kubitschek de Oliveira e em 1960 para Jânio Quadros, mas em 1957 os paulistanos o elegeram prefeito da Capital. Eleito novamente para governar o Estado em 1962, participou do movimento político-militar de 1964. Posteriormente, desentendeu-se com os chefes militares e em 1966 teve seus direitos políticos cassados por dez anos e exilou-se. Processado por corrupção, não foi condenado. Vítima de enfarte, faleceu em Paris e foi sepultado na capital paulista. Paralelamente à carreira política, dedicou-se a atividades empresariais industriais (transporte, metalurgia, siderurgia, alimentação), agrícolas e de serviços. Além disso, foi proprietário de duas emissoras paulistanas de rádio, quatro jornais na capital paulista e um jornal no Rio de Janeiro, sendo, pois, inegável a sua importância na industrialização e modernização do país. Figura controversa e marcante da história política brasileira, no seu derradeiro mandato projetou e iniciou a construção da Rodovia do Oeste, que, em virtude do movimento militar de 1964, passou a denominar-se Rodovia Castelo Branco. Uma rua de Piracicaba tem seu nome, na Unileste. São Paulo deve-lhe a construção de vários hospitais (iniciou em 1938 o Hospital das Clínicas) e centros de saúde, iniciativas em matéria de saneamento básico, criação de escolas, bibliotecas públicas e museus, desenvolvimento do transporte aéreo (Aeroporto de Congonhas e aeroportos no interior do Estado), de portos e rodovias. Em seu terceiro mandato como governador, iniciou a construção do metrô paulistano. Piracicaba foi beneficiada no seu governo com o decreto (1947) que criou a Escola Normal Livre Miss Martha Watts, no Colégio Piracicabano, a construção do edifício da Escola Industrial (1948) e a conclusão, construção e pavimen- tação de várias rodovias. Adhemar foi paraninfo dos formandos da ESALQ em dezembro de 1938, representou o paraninfo Getúlio Vargas em 1939 e voltou a ser paraninfo em 1948. Em 1956, condenado a dois anos de reclusão por peculato, refugiou-se na Bolívia, mas foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, voltando ao Brasil no ano seguinte. Uma rua piracicabana no Unileste tem seu nome, paralela à avenida Com. Leopoldo Dedini.


Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.