BARBOSA, António Correia

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N. Itu, SP, 1732 (batizado a 26.9.1732). F. Itu, SP, 1791. Capitão, sertanista, fabricante de canoas, primeiro povoador de Piracicaba e diretor da povoação, nomeado a 24.7.1766 por d. Luiz António de Souza Botelho Mourão, Morgado de Mateus. C.c. Ana de Lara da Silva. Ff.: Bárbara (ou Ana Bárbara), Cecília, Alexandre, João Damasceno e António 2º. Foi igualmente “notável sertanista das bacias do Pardo e do Ivaí, em plena área ameaçada pelos castelhanos” (Perecin, 1972). O Morgado de Mateus determinou que o ituano, que para cá teria vindo de Jundiaí, SP, estabelecesse a povoação “na barra que faz o rio Piracicaba entrando no Tietê, dez léguas mais adiante de Araritaguaba, última povoação em que se embarca para o Cuiabá”. Barbosa cumpriu a ordem recebida, fundando oficialmente a 1.8.1767 a povoação de Piracicaba, para onde fora “com administrados [índios], dispersos e vagabundos” (Neme, 1943). O Morgado queria que a capela da nova povoação fosse consagrada a Nossa Senhora dos Prazeres, mas Barbosa conseguiu fazer com que esta fosse substituída por Santo Antônio. Além disso, por motivos diversos, a povoação não foi estabelecida nas proximidades da foz do rio Piracicaba no Tietê, mas a setenta quilômetros rio acima, nas imediações do Salto, à margem direita do Piracicaba, onde, de acordo com Neme, “já se achavam estabelecidos, com ranchos e roçados, hortas e pomares, numerosos pescadores e sertanejos”. Em recompensa pela descoberta de vestígios da antiga picada de Mato Grosso que passava por Piracicaba, o Morgado de Mateus promoveu Barbosa a capitão-povoador em 11.12.1771. Em 1774 o bispo diocesano de São Paulo constituiu Piracicaba em Freguesia e mandou erigir a Igreja Matriz desta. A correspondência de d. Luiz António inclui numerosas menções elogiosas a Barbosa, realçando, assim, a alta consideração que este gozava, em que pese a ocorrência de um rumoroso caso de fabricação e venda de sete canoas pelo povoador (1768). Por outro lado, Neme (op. cit.) refere-se aos desmandos e atos de prepotência do capitão povoador, uma conduta “de modo a tornar de desespero e dor os primeiros vagidos da sociedade piracicabana”. Em 1784 Barbosa e o vigário local, frei Tomé de Jesus, lideraram um abaixo-assinado, pedindo ao governador de então, capitão-general Francisco da Cunha Menezes, a mudança de Piracicaba da margem direita do rio para o lado fronteiro, na margem esquerda. A mudança ocorreu em julho de 1784. Lavrava, contudo, o descontentamento dos habitantes contra Barbosa, que aparentemente só cessou com a morte deste, em meados de 1791, sendo nomeado Carlos Bartolomeu de Arruda (v.) para sucedê-lo. O capitão-mor da vila de Itu Vicente da Costa Taques Góes e Aranha deixou-nos o seguinte perfil severo de António Correia Barbosa: “...figura um índio de qualquer aldeia, porém branco de origem, muito forte, duro, animoso, agradável, ágil para a caça e pesca, totalmente desgovernado, inútil para si e para os seus, sem regra e sem palavra e inábil para qualquer instrução e reforma, isto é o capitão António Correia Barbosa” (cit. em Guerrini, 1978). Uma rua da cidade, que cruza a rua Moraes Barros, recebeu o nome de António Correia Barbosa, em substituição à antiga denominação: rua do Sabão. Uma descendente do povoador, Dora Correia Barbosa, casou-se com Joaquim da Cunha Bueno Júnior, sendo avós do deputado federal Antônio Henrique Bittencourt da Cunha Bueno. Em 1945 deu-se o tombamento da casa junto ao rio Piracicaba que, de acordo com a tradição, tornou-se conhecida como “a casa do povoador”.


Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.