ARRUDA (BOTELHO), Carlos Bartolomeu de

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N. Itu, 1739? F. Piracicaba, 7.2.1815. C.c. Maria de Meira Siqueira. Ff: Manuel Joaquim Pinto de Arruda (v.), Carlos José Botelho, Maria Antônia (ou Eugênia Antônia ?) e Maria Francisca. Filho de João de Arruda Botelho e Eugênia Pinto do Rego. Sargento-mor, um dos maiores latifundiários de Piracicaba, dono de vastas extensões de terra, entre as quais a sesmaria que incluía a fazenda Monte Alegre e seu engenho e que, após sua morte, foi vendida pela família ao pe. Manuel Joaquim do Amaral Gurgel (v.). Em 1767 Carlos Bartolomeu participou de uma das expedições que tinham em vista a fundação e a manutenção da colônia de Iguatemi, à margem esquerda do rio que lhe deu o nome, “a fim de impedir que os espanhóis invadissem o Brasil” (Aranha, 1982). Em março de 1786 adquiriu uma sesmaria de “três léguas de terra para povoar”, nos sertões de Araraquara, então pertencentes ao território de Piracicaba, terras que eram de propriedade de Manuel Martins dos Santos Rego e correspondiam aos atuais municípios de Araraquara, Descalvado, Rio Claro e São Carlos, posteriormente desmembrados de Piracicaba. Guerrini (1970) alude ao seu “gênio atrabiliário” e menciona um documento sobre terras do povoador António Correia Barbosa compradas por Felipe Cardoso e a respeito da vinda de Carlos Bartolomeu à povoação “onde obteve uma sesmaria contígua às ditas terras”, passando a ser comandante de Piracicaba. Arruda foi, segundo Guerrini, “uma das figuras mais sugestivas dos anais da cidade. Muitos são os ângulos nos quais se pode estudar a figura do celebrizado sargento-mor”. Foi uma das pessoas centrais nas inúmeras controvérsias sobre os limites da vila, em fins do século dezoito e princípios do século dezenove. “Iniciou a questão do rossio, que durou perto de cem anos” (Krähenbühl, 1955). Em 1795 Carlos Bartolomeu obteve carta de sesmaria sobre uma légua de terras que começavam na barra do córrego Itapeva (hoje av. Armando de Sales Oliveira). Em 1798 o sargento-mor assumiu na freguesia de Piracicaba o cargo de capitão das ordenanças e passou a ser o comandante da povoação. Seus amores clandestinos com uma viúva, Maria Flores de Morais (ou Maria das Flores), assumiram o caráter de escândalos, sendo a mulher desterrada para Itu, por esse motivo. Carlos Bartolomeu teve freqüentes conflitos com o comandante da milícia local, capitão Francisco Franco da Rocha (v.), e com o pároco da freguesia, pe. José Francisco de Paula. Um protesto contra os seus desmandos foi encaminhado em 1802 ao governo da capitania pelos moradores de Piracicaba, no qual Carlos Bartolomeu era descrito como “homem colérico e vingativo, que se servia dos moradores para tais desmandos..., homem libertino e escandaloso”. A 1.2.1803, foi demitido. A despeito disso, incumbiram-no de perseguir escravos fugidos e reunidos num quilombo, perto do rio Corumbataí. Após deixar o comando dos milicianos, mudou-se para Itu, onde, nomeado, assumiu o posto de sargento- mor. Já reformado, arrogante, alimentava em 1811 a esperança de voltar a comandar a freguesia de Piracicaba, ameaçando vingar-se dos seus desafetos. Por esse motivo, foi alvo de reprimenda perante a presidência da Capitania, a 27.9.1811. Carlos Bartolomeu era avô do coronel Carlos Bartolomeu de Arruda Botelho (Neto), fazendeiro e chefe liberal; do conde do Pinhal, Antônio Carlos de Arruda Botelho (v.); e do coronel Paulino Carlos de Arruda Botelho (v.), fazendeiro e político, três dos nove filhos do coronel Carlos José de Arruda Botelho, o “Botelhão” (v.), filho caçula do sargento-mor de Piracicaba. De acordo com Krähenbühl (1955), no local onde existiu o engenho d’água do Carlos Bartolomeu de Arruda, o Barão de Limeira instalou no século 19 uma serraria, talvez a primeira de Piracicaba, e seu filho Luiz de Queiroz (v.) construiu a Fábrica de Tecidos Dona Francisca (1877), posteriormente Arethuzina, até 1918, e Companhia Industrial e Agrícola Boyes, após compra pela firma Boyes & Irmãos (v. Boyes). Chama-se Carlos Bartolomeu de Arruda uma rua no Parque N. S. das Graças



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.