ALMEIDA JÚNIOR, José Ferraz de

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Artista plástico, pintor e escultor. N. Itu, SP, 8.5.1850 e f. Piracicaba a 13.11.1899, assassinado por José de Almeida Sampaio, seu primo, por razões passionais. A trágica morte ocorreu na frente do antigo Hotel Central, junto à praça José Bonifácio, ao lado da igreja da Matriz. Era filho de José Ferraz de Almeida e de Ana Cândida do Amaral Souza. Contava com parentes e amigos em Piracicaba, vinha freqüentemente à cidade e nela foi sepultado. Nome consagrado da pintura brasileira, desde cedo manifestou seu talento pela pintura. Estudou no Rio de Janeiro, na Academia Nacional de Belas Artes, tendo como mestres Victor Meireles e Jules Le Chevrel. Impressionado com o talento do jovem, d. Pedro II proporcionou-lhe ajuda para aperfeiçoar-se em Paris a partir de 1876, como discípulo do célebre Alexandre Cabanel, na Academia de Belas Artes da capital francesa. Sensível às várias tendências que então se opunham ao neoclassicismo, recebeu em Paris influências dos românticos, realistas, impressionistas e pós- impressionistas. Após participar em 1880 do Salão de Artistas Franceses em Paris, transferiu- se para Roma, onde produziu seus primeiros quadros de temas bíblicos. De volta ao Brasil em 1882, realizou sua primeira exposição no Rio de Janeiro. Fixou-se na capital paulista, dedicando-se à pintura figurativa, notadamente como pintor dos tipos e costumes da vida interiorana paulista (“Caipira picando fumo”, Cozinha caipira”, “Caipiras negaceando”, “Amolação, interrompida”, “O violeiro”), mas fez igualmente pinturas históricas (“A partida da monção”), de gênero (“Descanso do modelo”), religiosas (“Fuga para o Egito”, “Remorso de Judas”), paisagens e retratos. Participou de várias exposições nacionais e no exterior nas décadas de 80 e 90. Seus quadros “Caipiras negaceando”, atualmente no Museu Nacional de Belas Artes, “Leitura” e “Descanso do modelo” ganharam medalha de ouro em 1888 na exposição internacional de Chicago, nos EUA. Suas obras principais encontram-se no Museu Paulista, no Museu Nacional de Belas Artes e na Pinacoteca do Estado. Almeida Júnior soube interpretar, “com profunda poesia e inegável satisfação sentimental, as cenas mais humildes da vida caipira. Seu mérito foi focalizar o caipira, com sua vida simples, seus instrumentos de trabalho, sua moradia, sua expressão fisionômica e corporal, suas vestes, seus objetos de uso doméstico e suas preocupações. A característica mais constante de sua obra, que permanece desde as primeiras até as últimas telas, é o sentido exato da composição, tendo a geometria como sua grande aliada... Sua visão do homem do interior é telúrica e lírica” (D. Battistoni Filho, 2005). Foi premiado, um ano antes de morrer, com a medalha de ouro do Salão Nacional de Belas-Artes por seu quadro “Partida da monção” (Museu Paulista). Julgado, o assassino, que teve Prudente de Moraes como defensor, foi absolvido, sob a alegação de que cometeu o crime em defesa de sua honra. Almeida Júnior designa a praça antes denominada Largo do Gavião e Jardim da Cadeia, bem como uma travessa do bairro Nova América. É patrono da Associação Piracicabana de Artistas Plásticos, que promove anualmente, desde 1989, a Mostra Almeida Júnior, em parceria com a Pinacoteca Municipal Miguel Dutra. A Câmara Municipal deu-lhe em 2001 o título “post-mortem” de cidadão piracicabano.



Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013.